Homilia Sábado VI Semana da Páscoa | Ano C

Oração de petição

Sábado, 6ª Semana da Páscoa, C – At 18,23-28; Sl 46 Jo 16,23-28

Santo Agostinho, na famosa Epístola a Proba, referindo-se ao Pai-Nosso afirma: “podes analisar todas as orações, mas não encontrarás nada que já não esteja presente na oração do Pai-Nosso. De tal maneira que estás livre para rezar com outras palavras, contanto que digas o que diz essa oração, mas não estás livre para rezar outra coisa que essa oração”. Na linguagem agostiniana, o Pai-Nosso aparece como a forma e a fôrma de todas as outras orações cristãs: posso rezar outras coisas, mas não posso rezar outra coisa! Posso pedir como eu quiser, mas não diferente do que pede a oração do Senhor. É nesse sentido que Jesus nos diz: “pedi e receberei para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16,24). Porém, temos que pedir segundo o Pai-Nosso para sermos atendidos.

Ter essa forma de rezar é-nos muito conveniente, porque, como diz o Apóstolo: “Não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). A oração que o Espírito Santo, Senhor Vivificador e Doador de vida, nos ensina é uma oração filial que começa exatamente com as palavras “Abbá”, papaizinho: “recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai! O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus” (Rm 8,15-16). Portanto, os gemidos inefáveis dos quais fala o Apóstolo é o “Abbá” de Jesus, isto é, a oração na qual chamamos Deus de Pai, nosso Pai. Conclusão: a oração dos gemidos inefáveis é o Pai-Nosso, seja rezado na sua formulação tradicional seja rezado de maneira espontânea, mas sempre o Pai-Nosso se tais palavras não se afastam do espírito da oração do Senhor.

Nós, ao rezarmos dessa maneira, entramos no diálogo de amor que existe entre Jesus e a Igreja, isto é, entre o Esposo e a Esposa: “O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Que aquele que ouve diga também: “Vem!” (Ap 22,17). Ao recebermos o Espírito Santo que nos faz dizer “Abbá”, aprendemos também a dizê-lo juntamente com a Igreja: Abbá! Estamos, portanto, unidos ao Espírito Santo e à Igreja que clama pela segunda vinda do Senhor com as palavras mais carinhosas que saíram da boca de Jesus: Abbá! Entramos, dessa maneira, na corrente do amor existente eternamente na vida trinitária: Pai e Filho e Espírito Santo se amam eternamente no Espírito Santo que “foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5).

Padre Françoá Costa
Instagram: @padrefcosta

Facebook
Twitter
LinkedIn

Biblioteca Presbíteros